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Mortes em RR não têm relação com briga de facções, diz secretário

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Movimentação nos arredores da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista (RR), onde ao menos 33 presos foram mortos - 06/01/2017
Movimentação nos arredores da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Boa Vista (RR), onde ao menos 33 presos foram mortos - 06/01/2017 (Rodrigo Sales/FolhaBV)

O governo de Roraima descartou nesta sexta-feira que o assassinato de 33 presos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), em Boa Vista, tenha ocorrido num contexto de guerra entre facções criminosas, como aconteceu no massacre de Manaus no domingo, quando 56 presos foram mortos.

O secretário estadual de Justiça, Uziel de Castro Júnior, afirmou que os presidiários mortos fazem parte dos quadros do Primeiro Comando da Capital (PCC) ou não têm vínculos com nenhuma organização criminosa. Desde o início do dia, foi veiculada a possibilidade de a ação ter sido uma retaliação do PCC contra o grupo Família do Norte (FDN), que, ligado ao Comando Vermelho, atacou integrantes do PCC no Coplexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus.

“É improcedente a informação de que o que aconteceu seja uma vingança pelas mortes em Manaus”, disse o secretário.

Segundo o secretário, desde novembro de 2016, os presos no Estado estão separados em unidades prisionais de acordo com a facção a que afirmam estar ligados. A segregação foi uma resposta das autoridades locais aos confrontos entre grupos rivais que ocorreram em outubro, deixando pelo menos dez mortos no mesmo presídio. Na penitenciária de Monte Cristo, estariam apenas presos que integram o PCC e os que afirmam não pertencer a nenhum grupo. Já na Cadeia Pública estão membros do Comando Vermelho e da FDN.

A declaração do secretário coincide com a feita pelo ministro da Justiça, Alexandre Moraes, na manhã desta sexta-feira, em entrevista em Brasília durante o lançamento do Plano Nacional de Segurança. Para o ministro, houve um “acerto interno” do PCC. “Não é uma retaliação. Houve a separação dessa facção (PCC) nesse presídio. Então, todos ali eram da mesma facção. Os que morreram eram estupradores e rivais internos que haviam, segundo as informações ainda iniciais, traído os demais. Na linguagem popular, seria um acerto interno, o que não retira a gravidade do fato”, disse o ministro.

De acordo com informações do governo, os detentos quebraram os cadeados e invadiram a ala 5 do presídio de Monte Cristo, a cozinha e o “cadeião’, onde estavam os presos de menor periculosidade. A maioria das vítimas foi decapitada, teve o coração arrancado e foi desmembrada. Os corpos foram jogados em um corredor que dá acesso às alas. A brutalidade é semelhante à vista nas mortes do massacre de Manaus.

Fonte: VEJA.com (Com Agência Brasil)