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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Brasília: O ex-presidente Lula discursa como vítima da Lava Jato

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva sobre a denúncia do Ministério Público Federal contra ele e sua esposa Marisa Letícia em hotel no centro de São Paulo (Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chora durante pronunciamento sobre a denúncia do Ministério Público Federal contra ele e sua mulher, Marisa Letícia, em hotel no centro de São Paulo (Foto: Pedro Kirilos/Agência O Globo)

A voz rouca, fraca, não ajudava, mas caiu muito bem para a ocasião. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariou seus médicos e, durante cerca de uma hora, falou sem parar.

Nesta quinta-feira (15), como em todos os momentos difíceis, Lula jogou-se no colo do PT em busca de força e legitimação.

Vestiu uma camisa polo vermelha e convocou petistas e sindicalistas para ouvi-lo em um hotel em São Paulo. Esforçou-se na única atitude que poderia ter após a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, que o acusa de três crimes: falar sobre si mesmo. Não inovou. Com a habilidade de sempre, explorou os recursos de retórica que domina e fez um discurso político, em busca de apoio dos que o apoiam desde sempre – e precisam dele para sobreviver politicamente.

A intenção de Lula não era, em momento algum, desmentir em detalhes as acusações minuciosamente apresentadas pelos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato. Não tencionava convencer o país de que é inocente das acusações, que não foi favorecido pela empreiteira OAS, que não teve nada a ver com o petrolão, o esquema de corrupção que dilapidou a Petrobras durante seu governo. O pronunciamento foi uma forma de alertar seus apoiadores para uma batalha de retórica que será feita no futuro próximo, quando Lula tiver de enfrentar a Justiça.

Para isso, Lula seguiu sua receita infalível. Voltou ao passado glorioso para que esse se sobreponha ao presente. Falou das dificuldades de um homem pobre para chegar à Presidência, de suas realizações em oito anos de mandato e das medidas que seu governo tomou para livrar o país da miséria. Ressuscitou o discurso do “nós contra eles”, com a ideia de que o impeachment e a Lava Jato são produto de uma enorme conspiração contra ele e o PT, por terem proporcionado a ascensão social de milhões de pessoas. Jogou, obviamente, a hipótese de que uma elite política quer evitar sua volta em 2018.

Lula concentrou-se, em especial, na imagem de vítima. Fez piadas ao dizer que a Polícia Federal apreendeu o tablet de seus netos e o telefone celular de dona Marisa, usado apenas para jogar. Só não se arriscou no terreno movediço de rebater as acusações e as provas levantadas. Aí, onde não domina, ficou no genérico. “Conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país. Provem uma corrupção minha, que eu irei a pé para ser preso”, disse. Não entrou no mérito, não negou a relação com a empreiteira OAS, não se referiu muito ao apartamento tríplex de Guarujá. Não precisava.

Fonte: LEANDRO LOYOLA - ÉPOCA

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