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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Buenos Aires: Argentina é o primeiro país a declarar que “respeita” a mudança no Brasil

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Argentina Mauricio Macri. EFE/Arquivo

O Governo argentino foi o primeiro a demonstrar publicamente seu respeito pela nova situação brasileira, em que o vice-presidente Michel Temer assumirá interinamente a presidência. “Diante dos fatos registrados no Brasil, o Governo da Argentina manifesta que respeita o processo institucional em curso e confia em que o desenlace da situação consolide a solidez da democracia brasileira”, diz nota oficial da chancelaria emitida no começo da manhã desta quinta-feira, pouco depois de o Senado aprovar a tramitação do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O gesto foi muito medido em sua forma e momento, e aparentemente combinado com Temer.

Se Macri contatar o presidente interino nas próximas horas, algo que teria lógica depois desse comunicado tão rápido, seria um gesto definitivo de respaldo.

“O Governo Argentino continuará dialogando com as autoridades constituídas a fim de seguir avançando com o processo de integração bilateral e regional” conclui o texto, rapidamente publicado pela chanceler Susana Malcorra na sua conta no Twitter.

A Argentina vem se empenhando em barrar nos organismos regionais a tentativa de alguns países, como Bolívia e Venezuela, de aplicar a cláusula democrática contra Brasil. Macri a todo momento se negou a falar em “golpe” no gigante sul-americano, ao contrário do que fizeram Evo Morales e outros mandatários esquerdistas. Agora, dá um passo a mais no seu apoio implícito a Temer, uma pessoa com quem tem uma proximidade ideológica muito maior do que com Rousseff. Apesar disso, o Governo argentino está inquieto, porque teme que o Executivo de Temer seja frágil e instável.

Macri chegou ao cargo há poucos meses, convivendo com uma crise inédita em seu principal sócio comercial e político. O presidente argentino havia desenhado uma estratégia de política externa que ficou muito prejudicada. Apesar das diferenças ideológicas, e de Rousseff e principalmente Lula terem apoiado enfaticamente a candidatura do peronista Daniel Scioli na última disputa presidencial, Macri apostou desde o primeiro momento por um pacto com o Governo brasileiro. Foi o primeiro país a visitar, e estreitou laços com Brasília desde o primeiro dia de mandato. Tentou acelerar com Rousseff o pacto UE-Mercosul e buscou inclusive convencê-la a aplicar a cláusula democrática contra a Venezuela.

As relações pareciam muito sólidas. Mas veio o processo de impeachment, e Macri num primeiro momento prestou apoio a Rousseff, embora sempre de forma muito mais precavida do que Morales. Apesar dos apelos da oposição brasileira, Macri em momento algum respaldou o processo contra Rousseff, sempre defendendo que a crise se resolvesse por vias constitucionais. Mas, pouco a pouco, o Governo argentino começou a assumir que Rousseff ia cair. Assim, manteve a cautela, mas impediu que fossem aprovadas declarações conjuntas na Unasur e Mercosul de rechaço ao impeachment, descartou a palavra golpe e esperou a votação desta madrugada. Agora, com um novo presidente como interlocutor, Macri quis ser o primeiro a deixar claro que Temer pode contar com o apoio argentino enquanto for o presidente constitucional do Brasil.

Fonte: EL PAÍS

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